Por sugestão de uma amiga interessada em reunir o grupo e incentivar a leitura, criamos de forma bastante informal, um CLUBE DE LEITURA que está em plena atividade e já debate (outubro de 2011) seu quarto livro. Nossos encontros são mensais e  recheados de muitas discussões. Como não somos experts, muito menos críticos literários, debatemos os sentimentos que os livros nos proporcionam, o que tem se mostrado muito rico do ponto de vista do crescimento individual e da convivência coletiva fraterna.
         A criação deste Blog é para que registremos a trajetória do Clube. O nome TOSCANA, surge para homenagear  aquela região italiana que, após  uma viagem que fizemos ( entre 11 casais)  para visitá-la, em abril de 2011, ela ficou indelevelmente marcada nos nossos corações. Como a criação do CLUBE DE LEITURA,  decorreu da parceria desenvolvida naquela viagem, a continuidade  do convívio daquele grupo (hoje ampliado), também justifica a homenagem.
         Este  Blog, que é restrito às participantes do CLUBE DE LEITURA TOSCANA, poderá conter  toda espécie de comentários, sugestões e propostas referentes a livros (lidos ou não), filmes, músicas,  peças teatrais e/ou shows , sobre os quais queiramos compartir impressões.
Bem vindas amigas!

terça-feira, 12 de maio de 2026

CRIME E CASTIGO - Fiódor Dostoiévski

 


Ata de nossa reunião de 22 de abril de 2026


Hora: 19h 
Lugar: Restaurante L’Único, na Rua Gen. Couto de Magalhães, 1195
Livro - Crime e Castigo, de Fiódor Dostoiévski,

Compareceram ao encontro as 10 (dez) integrantes do clube: Cleo, Denise, Evelyn, Karen, Karin, Lidia, Lise, Malu, Suzana e Titina.

Iniciou-se com muita conversa, muitos assuntos, muita saudade entre as amigas e saudades dos encontros. Falou-se de gafes no comparecimento a eventos, esquecimentos, trocas de data.

Logo começaram os brindes com vinho branco Pinot Grigio, acompanhados de focaccia servida como aperitivo. A conversa seguia animada. Cogitou-se marcar um próximo encontro no Le Bateau Ivre, mas a ideia foi rapidamente descartada, já que o restaurante não dispõe de um espaço reservado e adequado para o grupo.

Em meio a tantas conversas, mal se conseguia fazer os pedidos. Quase todas optaram pelo papardelle com lagosta, mas surgiu um impasse: havia apenas três porções disponíveis, suficientes para atender seis amigas. Assim, decidiram compartilhar os pratos em duplas — três pedidos de papardelle com lagosta, além de um polvo e um ravioli de camarão.

E as conversas continuavam, passando pelos novos restaurantes da cidade, pelas recentes atividades das organizadoras de festas e pelos últimos lançamentos da moda.

Fiz o resumo da vida do autor Fiódor Dostoiévski. Havia muito material, muitos acontecimentos e realizações. 

Fiódor Dostoiévski (1821–1881) foi um dos maiores escritores da literatura universal, reconhecido pela profundidade psicológica e filosófica de suas obras. Autor de clássicos como Crime e Castigo, O Idiota e Os Irmãos Karamázov, destacou-se pela análise intensa da alma humana, abordando temas como culpa, sofrimento, liberdade, fé, violência, pobreza, niilismo e conflitos morais. 

Sua obra exerceu enorme influência sobre a literatura, a filosofia, a psicologia e o existencialismo. Nascido em Moscou, em 11 de novembro de 1821, filho de um médico militar e de uma dona de casa, Dostoiévski cresceu em ambiente rígido, marcado por forte influência religiosa e literária. Apesar das dificuldades financeiras da família, recebeu sólida formação cultural. Ainda jovem, sofreu perdas decisivas: sua mãe morreu em 1836 e seu pai, possivelmente assassinado por servos em 1839. Formado em engenharia, abandonou a carreira para dedicar-se integralmente à literatura. 

Obteve reconhecimento imediato com seu primeiro romance, Gente Pobre, publicado em 1846. Contudo, sua obra seguinte, O Duplo, recebeu críticas severas, abalando sua ascensão literária. Em 1849, foi preso por participar do Círculo Petrashevski, acusado de conspiração contra o czar Nicolau I. Condenado à morte, viveu a dramática experiência de aguardar diante do pelotão de fuzilamento até que, no último instante, sua pena fosse comutada para trabalhos forçados na Sibéria, seguidos de serviço militar obrigatório. Esse episódio marcou profundamente sua visão de mundo e influenciou decisivamente sua produção literária posterior. 

Durante o período na Sibéria, sofreu os primeiros ataques de epilepsia e viveu intensos dramas pessoais. Casou-se inicialmente com Maria Dmitriévna e, mais tarde, com sua estenógrafa Anna Grigorievna Snitkina, que desempenhou papel fundamental em sua vida e carreira. Também enfrentou dificuldades financeiras constantes e desenvolveu vício em jogos de azar durante viagens pela Europa. 

Após retornar a São Petersburgo, retomou sua carreira literária e alcançou enorme prestígio tendo seu reconhecimento definitivo com a obra Crime e Castigo, seguido de O Idiota, Os Demônios e, por fim, Os Irmãos Karamázov, considerada sua obra-prima. Dostoiévski morreu em 1881, deixando legado intelectual incomparável. Sua obra influenciou pensadores como Friedrich Nietzsche e Sigmund Freud, sendo considerada precursora da psicanálise, do existencialismo e de diversos movimentos filosóficos e artísticos modernos. Até hoje, é celebrado mundialmente por sua extraordinária capacidade de explorar os dilemas mais profundos da condição humana.

A seguir, a Lidia fez um breve resumo do livro. O texto apresenta Raskólnikov, protagonista de Crime e Castigo, como um ex-estudante brilhante que vive na miséria em São Petersburgo. Desesperado por dificuldades financeiras e ameaçado por uma agiota a quem deve dinheiro, ele passa a considerar assassiná-la. Paralelamente, o texto explica sua teoria do “homem extraordinário”: indivíduos superiores, por seu suposto valor para a humanidade, acreditariam ter o direito de ultrapassar leis morais comuns para atingir seus objetivos. O personagem se considerava um homem extraordinário, de quem admissível provocar a morte de alguém. Assim, ele mata a agiota e sua irmã, e passa a buscar o castigo. Ao ser confrontado pelo juiz, o acusado demonstra irritação e comportamento provocador, sugerindo um desejo inconsciente de ser descoberto e punido. Ao final, foi condenado a sete anos de prisão.

Cleo defendeu que ele teve culpa por matar a irmã da agiota, que era inocente, e não se encontrava abarcada pela sua teoria do “homem extraordinário”. Outras acham que não, que a culpa seria, também, pela morte da agiota. Sonia teria mexido com ele. Lise adorou, gostou muito de ter lido. Algumas leram bem rapidamente. A Karin disse que várias coisas a incomodaram, achou pesado, tenso, intelectual, filosófico. Não foi fácil. Titina comentou sobre a comunicação na época, tão diferente de agora: para falar com alguém, os personagens tinham que ir na casa da pessoa. Não havia telefone, muito menos aplicativos de mensagem. Não entendeu por que o pintor teria assumido a culpa da morte. Talvez no original se tivesse essa resposta – tortura, alguma vantagem? Não se soube. Malu referiu que quando ele começou a ser julgado surgiram coisas boas que ele realizava, como no atropelamento dar o dinheiro para os atos fúnebres do atropelado. Deu o que não tinha. Também comentou a questão do pintor, Denise mencionou a questão da diferença de cultura e de época. Não é possível se analisar com os valores de hoje. Valores muito religiosos, na época a moral religiosa muito influenciava. Temos que nos colocar naquele tempo, salientou. A mulher para a sua sobrevivência tinha que casar. Karen achou difícil, pesado, reflexivo, mas gostou muito. Enfatizou também a questão cultural. Suzana gostou muito e interpretou que a morte da irmã agravou a culpa do personagem, mas se fosse somente a agiota, ainda assim teria remorso. O personagem foi transformado pela culpa do crime. Quanto à pergunta sobre se ele se arrependeu, as amigas dividiram-se a respeito. Se ele tivesse dinheiro teria praticado o crime? Matou pela injustiça? Pelo fato de a agiota o explorar? São questões que surgiram e dividiram opiniões, ensejando grande reflexão. Sonia foi uma personagem importante, que deu ao personagem compaixão e amor, temas presentes até hoje. Evelyn ressaltou o lado psicológico muito interessante, gostaria de ter se detido mais. Referiu ainda o fato de a mãe e a irmã se sacrificarem para poder sustentar o filo. A questão cultural a respeito. Atribuiu ao personagem a condição de narcisista e megalomaníaco. 

Vieram os pratos, ótimos, jantou-se e a conversa continuou. Sobre saúde, novos tratamentos, espiritualidade, viagem de arte, São Paulo, Cidade Matarazzo, exposições interativas em São Paulo, MASP, Pinacoteca de São Paulo, Restaurante Le Petit Chef, uma nova experiência, viagens que fizeram e que vão fazer, e muito mais.

Momento da foto e escolheu-se o livro para a próxima reunião, dia 19/05, uma terça-feira.

Livro Marie Curie e Suas Filhas: Livres - Geniais - Pioneiras - Inspiradoras – Poderosas , de Claudine Monteil.

Boas leituras, até dessa ata, que ficou enorme, hehe. Não deixem de lê-la. Bjo a todas e até lá, Titina.

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