Por sugestão de uma amiga interessada em reunir o grupo e incentivar a leitura, criamos de forma bastante informal, um CLUBE DE LEITURA que está em plena atividade e já debate (outubro de 2011) seu quarto livro. Nossos encontros são mensais e  recheados de muitas discussões. Como não somos experts, muito menos críticos literários, debatemos os sentimentos que os livros nos proporcionam, o que tem se mostrado muito rico do ponto de vista do crescimento individual e da convivência coletiva fraterna.
         A criação deste Blog é para que registremos a trajetória do Clube. O nome TOSCANA, surge para homenagear  aquela região italiana que, após  uma viagem que fizemos ( entre 11 casais)  para visitá-la, em abril de 2011, ela ficou indelevelmente marcada nos nossos corações. Como a criação do CLUBE DE LEITURA,  decorreu da parceria desenvolvida naquela viagem, a continuidade  do convívio daquele grupo (hoje ampliado), também justifica a homenagem.
         Este  Blog, que é restrito às participantes do CLUBE DE LEITURA TOSCANA, poderá conter  toda espécie de comentários, sugestões e propostas referentes a livros (lidos ou não), filmes, músicas,  peças teatrais e/ou shows , sobre os quais queiramos compartir impressões.
Bem vindas amigas!

sábado, 1 de novembro de 2025

A BAILARINA DE AUSCHWITZ- Edith Eva Eger

 Ata de nossa reunião de 28 de outubro de 2025


Hora:11h30min

Lugar: Universos - Livros, café, artes e vinhos - Alameda Eduardo Guimarães, 100 - Três Figueiras

Livro: A Bailarina de Auschwitz, de Edith Eva Eger


Compareceram ao encontro 8 (oito) integrantes do clube: Cleo, Evelyn, Karen, Karin, Lídia, Lise, Suzana e Titina.

Esse encontro foi realizado em um horário diferente, no fim da manhã.  Pouco a pouco, chegamos todas, e começamos a conversar sobre  novos restaurantes da cidade, novos shoppings nas cercanias desse café,  homeopatia, saúde, exposição dos impressionistas em São Paulo, dicas, comentários, acontecimentos. 

E pedimos águas e sucos.  A seguir, vacilou-se sobre pedir um cálice de vinho para uma das amigas, depois para algumas, no fim pediu-se uma garrafa de vinho, degustada por quase todas.  Para almoçar, os pedidos consistiram, basicamente, em raviólis ou sorrentinos e sanduíches light.  Cada uma fez o seu pedido. 

Não falei sobre a autora, Edith Eva Eger, porque se tratava de uma autobiografia.  Todas acabamos sabendo muito sobre a vida dela, não foi necessário apresentar um resumo.

Então, iniciou-se pela  Lídia que apresentou uma breve apreciação do livro, que consiste na história inesquecível de uma mulher que viveu os horrores da guerra, e que, décadas depois, encontrou no perdão a possibilidade de ajudar outras pessoas a se libertarem dos traumas do passado. Edith Eger era uma bailarina de 16 anos quando o exército alemão invadiu seu vilarejo na Hungria. Seus pais foram enviados para a câmara de gás, mas ela e as irmãs sobreviveram às torturas do campo de concentração. Ao final da guerra, Edith foi encontrada pelos soldados americanos em uma pilha de corpos dados como mortos. Mesmo depois de tanto sofrimento e humilhação nas mãos dos nazistas e, após anos e anos sendo já adulta e mãe de família, resolveu cursar psicologia, tornando-se profissional. Passou então a tratar pacientes que também lutavam contra transtornos pós-traumáticos, como soldados veteranos de guerra, mulheres vítimas de violência doméstica e tantos outros que, como ela, precisavam enfrentar a dor e reconstruir a própria vida. É  um relato emocionante de suas memórias e dos casos reais que ela ajudou. Uma lição de resiliência e superação, em que Edith nos ensina que todos nós podemos escapar à prisão da nossa própria mente e encontrar a liberdade, não importam as circunstâncias.  Lídia transcreveu duas mensagens da autora que a impressionaram: “Não existe hierarquia no sofrimento. Não há nada que torne a minha dor maior ou menor que a sua; não há nenhum gráfico no qual possamos registrar a importância de uma dor sobre a outra.” e  “Não quero que você leia a minha história e diga ‘meu sofrimento é menos importante’. Quero que você afirme ‘se você pode fazer isso, eu também posso.’”

Passou-se, então, às apreciações de cada uma das amigas que leram o livro desse mês.  A ampulheta não foi levada ao jantar, por esquecimento meu, novamente (sorry, sorry), mas tentou-se fazer de igual modo um controle de tempo, falando cada uma um pouco, organizadamente.

Iniciou-se pela Evelyn  que gostou muito e se impressionou com tudo o que a autora passou.

Suzana também gostou muito, pesquisou os locais onde ela esteve. Apontou como muito difícil o momento em que ela decidiu ir para os Estados Unidos. 

Cleo achou sensacional, dos melhores livros que já leu. Embora a história seja triste, não achou pesado o livro, mas poético.  Enfatizou a dor, o sentimento de cada um A autora tinha uma vida interior muito rica.  Privilegia o presente: agora estou aqui!  Chama a atenção, ainda, para a expressão “não somos o que juntamos, mas o que espalhamos”.

Titina achou o início muito linear.  Mas depois reconhece que o livro aprofundou muito, com belas reflexões, pensamentos, filosofia de vida.  Gostou muito do livro!

Lise ficou impressionada com a autora.  Desde pequena se mostrava forte.  Operou o olho sem anestesia. Possuía uma força interior.  Foi prejudicada desde cedo não podendo competir nas Olimpíadas, por ser judia.  Chama a atenção ainda para a sua coragem de voltar ao campo de concentração.  Foi o que a libertou.

Karin amou o livro.  Já teve um terapeuta que adorou, como a autora, que  foi uma ótima terapeuta. Já visitou Auschwitz, já esteve no Ninho da Águia. Livro muito belo.  Os agradecimentos também a impressionaram muito.

Karen gostou também, foi quem nos indicou o livro. Referiu o Viktor Frankl, psicólogo renomado, que teve grande importância na vida da autora, quando já psicóloga. 

A seguir, passamos a comentar livremente o livro.  Havia muito assunto, e mais e mais comentários e impressões. Citação de frases e pensamentos da autora, momento, reflexões, o livro rendeu muitas boas conversas.

Café, palmiers, docinho, e foi tirada a foto no ambiente da livraria, muito bonito.  Por fim, votou-se o próximo livro: Ferida, da autora Oksana Vassiákina.

E marcou-se a próxima reunião, para o Restaurante Benjamin Osteria Moderna, já conhecido de todas, na Av. Carlos Gomes, 400, térreo, no dia 26 de novembro, uma quarta-feira. Agendem-se!

Boas leituras a todas e até lá, bjo, Titina.

quinta-feira, 9 de outubro de 2025

O LIVRO BRANCO - Han Kang



 Ata de nossa reunião de 30 de setembro de 2025

Hora: 19h 

Lugar: Pot. Pourri Pizzaria - R. Furriel Luíz Antônio de Vargas, 374

Livro: O Livro Branco, de Han Kang

Compareceram ao encontro 7 (sete) integrantes do clube: Evelyn, Karen, Karin, Lídia, Lise, Suzana e Titina.

Nesse encontro, fomos convidadas para o jantar pela querida Karin, para comemorarmos o seu aniversário na reunião do Clube. Aperitivamos com burratas e vinho branco e brindamos a nossa aniversariante.

Iniciou-se conversando sobre variados assuntos, flores, viagens pelo Rio Grande do Sul, problemas de saúde e suas soluções. 

Falei sobre a autora, Han Kang, sul-coreana, que foi distinguida em 2024 com o Prémio Nobel de Literatura “pela sua intensa prosa poética que confronta traumas históricos e expõe a fragilidade da vida humana”.  A autora é filha de um romancista sul-coreano, Han Seung-won. Ela nasceu em Gwangju e aos 10 anos, mudou-se para Seul com a família. Estudou literatura coreana na Universidade Yonsei, localizada em Seul. Depois de se graduar trabalhou durante três anos como jornalista em algumas revistas. Sua carreira literária teve início com a publicação de cinco de seus poemas, em 1993, e sua carreira como romancista iniciou-se no ano seguinte, quando foi ganhadora do Concurso Literário da Primavera de Seoul Shinmun. Tornou-se mundialmente conhecida após a publicação do seu romance "A Vegetariana" em 2007, pelo qual, após sua tradução ao inglês, conquistou o Man Booker Prize (Prêmio Booker), em 2016. Em 2021, a escritora sul-coreana Han Kang participou da Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), integrando a mesa "Vegetalize”, quando abordou temas centrais de sua obra, como a relação entre humanidade e natureza, explorados em livros como "A Vegetariana". A discussão destacou a sensibilidade da escritora para questões de opressão, violência e a resistência silenciosa, temas que permeiam sua narrativa e que conquistaram reconhecimento internacional. Atualmente ensina escrita criativa no Universidade de Seul.

A seguir, a Lídia apresentou uma breve síntese do enredo do livro lido, apontando tratar-se de uma obra poética e experimental sobre luto, dor, vida e morte, narrada de modo pessoal e reflexivo. A autora inicia a obra listando “coisas brancas”, cor que na Coreia simboliza o luto. Por meio de pequenos textos meditativos, evoca o nascimento e a morte precoce de sua irmã, nascida antes da autora, que viveu apenas duas horas. O livro explora a dualidade entre vida e morte, luz e sombra, com uma escrita tensa e meditativa, tecnicamente boa, mas que o leitor do texto considera sem apelo emocional. Durante uma estadia na Polônia, coberta pela neve branca, a autora relembra a dor da mãe que implorava pela vida da filha. O comentário final reconhece a beleza da escrita, mas admite dificuldade em compreender o sentido profundo da obra.

Passou-se, então, às apreciações de cada uma das amigas que leram o livro desse mês.  A ampulheta não foi levada ao jantar, por esquecimento meu (sorry), mas tentou-se fazer de igual modo um controle de tempo, destinando poucos minutos para cada uma de nós.

Iniciou-se pela Suzana que interpretou a obra como uma homenagem à irmã falecida.  Não gostou do livro, considerando-o um grande concorrente ao troféu Framboesa de literatura (hehe). Karin, nossa aniversariante anfitriã, também não gostou.  Achou estranho, cansativo, embora pequeno, sem assunto, ainda comenta que os coreanos não transmitem emoções.  Considerou-o o pior livro do Clube de todos os tempos. Karen não gostou, achou difícil se manter lendo, leu como poesia, achou o assunto pesado, não mereceu aplausos. Evelyn não gostou, mas a seu ver valeu a pena ter lido para conhecermos a autora e vermos que não gostamos de seu estilo.  Não se entende bem a história. Lise diz que deu uma sensação de tristeza,  gostou da cartinha que permitiu um entendimento de se tratar de um trauma familiar. Não se consegue entender se é um conto, ou meditação.  Interpreta o branco como um vazio. Titina não gostou, mas após ler a crítica conseguiu achar melhor.  Livro pesado, triste, sobre ausências, morte.  No final se tem uma explicação, o que melhorou o entendimento da história. Cleo, que não pôde comparecer ao jantar, enviou por mensagem sua apreciação: “Gurias, eu amei o livro, achei poético, tem uma leveza simples.  Fala sobre o silêncio interno, (o branco, usado como metáfora em todo o livro), sempre necessário para despertar um olhar para o mundo.” Assim, não se obteve unanimidade quanto ao livro não ser bom. Como se vê essa avaliação é bastante subjetiva.  A Cleo surpreendeu as amigas ao informar ter adorado o livro.

A seguir, conversou-se sobre aniversários, decorações, novos prédios da cidade, novo shopping e muito mais.

Jantamos pizzas deliciosas, cortadas em quadradinhos.  De sobremesa,  fomos brindadas com uma torta maravilhosa da Leckerhaus, com cobertura da marzipã, trazida e oferecida pela gentil aniversariante, ocasião em que cantamos parabéns, homenageando nossa anfitriã da noite.

As conversas continuaram, sobre viagens, antigas e futuras, casamentos e separações, nutricionistas, alimentação, influências, famílias e relações familiares. 

Foi tirada a foto e votou-se o próximo livro: A Bailarina de Auschwitz, da autora Edith Eva Eger.

Deliberou-se que a próxima reunião será em um horário diferente, realizada na hora do almoço, das 11h30 às 14h, no estabelecimento Universos - Livros, café, artes e vinhos, situado na Alameda Eduardo Guimarães, 100 - Três Figueiras, no dia 28 de outubro, uma terça-feira  Agendem-se!

Boas leituras a todas e até lá, bjo, Titina.

domingo, 28 de setembro de 2025

SETEMBRO NEGRO - Sandro Veronesi

 


Ata de nossa reunião de 02 de setembro de 2025


Hora: 19h 
Lugar: Pot. Pourri Pizzaria - R. Furriel Luíz Antônio de Vargas, 374

Livro: Setembro Negro, de Sandro Veronesi

 

Compareceram ao encontro 8 (oito) integrantes do clube: Cleo, Evelyn, Karen, KarinLídiaMalu, Suzana e Titina.

 

Aperitivamos com vinho branco.

 

Iniciou-se conversando sobre variados assuntos erecentes acontecimentos na cidade. 

 

Falei sobre o autor, Sandro Veronesi, nascido em 1959. Trata-se de um romancista, ensaísta e jornalista italiano, que publicou vários romances, três livros de ensaios, uma peça teatral, inúmeras introduções a romances e coletâneas de ensaios, entrevistas, roteiros de cinema e programas de televisão. É o único escritor que foi agraciado duas vezes com o mais prestigiado prémio literário de Itália, o Prémio Strega: em 2006 pelo seu romance Caos Calmo e em 2020 pelo seu romance O Colibri.

 

A seguir, a Lídia apresentou uma breve síntese de seu enredo, contando que a obra narra a história de Gigio, um garoto de 12 anos que, já adulto, revisita lembranças do verão de 1972. O autor descreve minuciosamente cenários, cheiros, sons e referências históricas, como as Olimpíadas de Munique de 1972 e o massacre promovido pelo grupo palestino Setembro Negro. O enredo mantém a promessa de um acontecimento inesperado e brutal, mas, quando este ocorre, próximo ao final, a seu ver, não gera o impacto esperado.  Lidia não gostou do livro, tinha abandonado a leitura, mas depois retomou em razão do compromisso com o Clube. 

 

Passou-se, então, às apreciações de cada uma das amigas que leram o livro desse mêspor até três minutos, com o controle da ampulheta sendo feito pela Evelyn.  

 

Iniciou-se pela Karin, que até a metade achou o livro chato, Quase desistiu, lendo também em consideração ao Clube.  Ao final, apreciou mais, mas não foi de seu agrado.  A parte final, sobre os olivais e herança deixada pelo pai também não foi de seu agrado.

 

Evelyn achou muito descritivo, mas da metade para o fim, melhor.  O final não tinha nada a ver, mas pesquisando pôde perceber que o capítulo dos olivais tinha certo sentido, como uma coisa que, vista de cima, parecia ser uma coisa só mas, individualmente, havia várias árvores.

 

A Malu também se decepcionou.  A seu ver, otítulo só visou chamar a atenção e vender o livro. Esperava ler algo sobre as Olimpíadas de 1972, mas não era esse o enredo.  Quanto ao capítulo final, dos olivais, deveria ser outro livro.  Muito estranho.

 

Karen diz que o livro só teve início e fim, sem meio, que ele encorpou com histórias de praia, esportes, a vingança da mãe impressionou.  Seria um livro sem revisão, mal escrito em algumas partes.

 

Cleo refletiu que, quando se aprecia uma obra, livro, poesia, arte, não se deve apegar a nada pragmático.  A expressão do “amanhecer na Cornualha” a impressionou, assim como quando ele flagra a mãe falando com raiva, sem saber estar sendo observada.  Naquele momento o menino, personagem principal,  percebe que a mãe talvez fosse diferente daquela que ele conhecia, percebeu que não a conhecia por inteiro. Ali ele começa a mudar.  O autor é um poeta, tem profundidade. O relato da paixão que ele tinha pela Astel também impressionou.  O amor era algo dele. 

 

Titina adorou o livro. Achou interessante a abordagem indireta da discriminação racial na Europa da época, as relações, os valores que então grassavam.  Mesmo a parte da herança, que foi de maior complexidade e dificuldade de interpretação foi interessante. Gostou muito.

Suzana gostou, mas não tanto.  Pesquisou a praia onde a história se passa no mapa, gostou do foco nas Olímpíadas.  Pontua que a mãe fez alienação parental com o pai e critica, ainda o fato de um velejador virar um adepto de lanchas (o pai, no caso).  Isso não tem possibilidade de acontecer na prática.

 

Ainda assim, embora não apreciado pela maioria, o livro produziu certa polêmica.  A verdade e a mentira. Falou-se sobre loucura, família, personalidade, questões familiares.  Rendeu assunto. 

 

Jantou-se pizzas muito gostosas, que vêm cortadas em quadradinhos.  De sobremesa,  pizzas doces igualmente deliciosas, compartilhadas entre todas. 

 

Foi tirada a foto e, por fim,  votou-se o próximo livro: O Livro Branco da autora premiada com o Nobel de literatura em 2024, Han Kang, escritora sul-coreana.

 

A próxima reunião foi marcada para o dia 01 de outubro, uma quarta-feira, mas, depois, antecipada para o dia 30/09, terça-feira. Agendem-se!

 

Boas leituras a todas e até lá, bjo, Titina.

 

 

quinta-feira, 7 de agosto de 2025

O DESABAMENTO - Édouard Louis

 Ata de nossa reunião de 06 de agosto de 2025

Hora: 19h 

Lugar: Restaurante MÜ, Rua Eudoro Berlinck, 260

Livro: O Desabamento, de Édouard Louis

Compareceram ao encontro 9 (nove) integrantes do clube: Cleo, Denise, Evelyn, Karen, Karin, Lise, Malu, Suzana e Titina.

Aperitivamos maravilhosos camarões e tomamos vinho branco.

A seguir, a foto, em vários ambientes, na busca do melhor ângulo e iluminação.

Iniciou-se conversando sobre variados assuntos e recentes acontecimentos na cidade. A seguir, veio a notícia por mensagem de que a Lidia não conseguiria comparecer, por motivo de saúde, o que surpreendeu a todas.  Nossa integrante mais assídua!  Foi lamentada a sua ausência e desejadas melhoras. Registre-se que a Lidia enviou seu resumo com apreciação do livro.

Falei sobre o autor. Édouard Louis,  cujo nome original é Eddy Bellegueule, nascido em 30 de outubro de 1992  em Hallencourt, localidade da Picardia, no norte de França. Édouard cresceu numa família pobre, apoiada por subsídios sociais do governo, num meio onde o racismo, a homofobia e o alcoolismo eram uma constante e violenta presença. O seu pai foi trabalhador de fábrica durante uma década até que sofreu acidente do trabalho ficando acamado e incapaz de trabalhar.  Eddy conseguiu sair de casa para estudar, ingressou na Universidade da Picardia Jules Verne e, em seguida, na prestigiosa École Normale Supérieure, em Paris, tendo sido o primeiro na família a frequentar a universidade. Escreve sobre a sua vida e de seus familiares, retratando um mundo onde a pobreza e o álcool acompanham a reprodução social, levando as mulheres a conseguirem empregos mal remunerados e abandonarem seus estudos e os homens a passarem da escola diretamente para o trabalho braçal nas fábricas. Sua escrita se enquadra no gênero literário autoficção biográfica, em que apresenta elementos da sua autobiografia.

A seguir, a Denise fez a leitura do resumo atenciosamente enviado pela Lídia: O livro "O Desabamento", de Édouard Louis, trata da dor física e emocional do irmão do autor, marcada por exclusão social, familiar e laboral, além da pressão da masculinidade tóxica. A obra aborda temas como homofobia, dor psíquica, masculinidade imposta e relações familiares marcadas pelo silêncio e desprezo. O autor escreve como uma tentativa de dizer, por meio da literatura, o que não conseguiu expressar diretamente ao irmão. É um livro duro, sensível e impactante, que trata do amor impossível entre irmãos e da fragilidade de corpos que não suportam mais sofrer em silêncio.

Passou-se, então, às apreciações de cada uma das amigas que leram o livro desse mês, por até três minutos, com o controle da ampulheta sendo feito pela Evelyn.  

Iniciou-se pela Karin, que não havia falado na última reunião, tendo preferência, seguindo a ordem na mesa no sentido horário:

Karin não gostou do livro. Achou pesado, triste, depressivo, não tendo agregado nada.

Evelyn referiu o desamor.  O irmão não foi amado, mas questiona, se tivesse sido, se tivesse oportunidade, seria diferente a sua vida?  Talvez não, reflete. 

Denise achou o livro bem escrito e afirma que o irmão, personagem principal, era bipolar.  Os bipolares não se curam nunca, afirma.

Karen não gostou do livro.  Admite que é bem escrito, em forma de diário.  Não gostou e, a seu ver, o autor deveria ter tentado conversar com o irmão.

Suzana gostou muito, achou bem escrito,  que o autor tem o dom da escrita e acredita que seja provável ganhador de um prêmio Nobel no futuro.  Comentou, ainda, o sucesso mundial que o autor vem tendo com suas obras.

Lise achou o autor narcisista, que conta uma história íntima, e expõe o irmão doente e sua família violenta.  O irmão não gostou da exposição, comenta, era depressivo, alcoólatra, e o livro foi escrito porque não sente nada quando o irmão morre. 

Titina gostou muito do livro.  Acha que o irmão tinha doença psiquiátrica, nunca diagnosticada e tratada.  Comenta, ainda, o atraso da sociedade francesa na região em que moravam, a ignorância, o baixo nível intelectual da família.  

Cleo diz que o autor é egoísta.  O livro é pesado.  Gostou mais no início, achou indevida a exposição do irmão, que foi muito maltratado na família.

O livro deu muita polêmica, o que é admitido por todas.   Muito debate. Nesse sentido, foi um sucesso, registre-se.

Jantou-se, sempre muito bons os pratos, com predominância de pedidos do atum selado, como tem ocorrido.

Chá e cafezinho e depois (estranho) sobremesas lindamente apresentadas, quase obras de arte,  e deliciosas,  compartilhadas entre todas. 

Conversou-se mais um pouco, foram relembrados acontecimentos, comentados romances, namoros, casamentos, costumes.

E, por fim  votou-se o próximo livro, indicado pela Suzana:  “Setembro Negro”, de Sandro Veronesi, autor  italiano que vem fazendo muito sucesso, tendo estado recentemente participado da FLIP 2025.  

A próxima reunião foi marcada para o dia 02 de setembro, uma terça-feira.  Agendem-se!

Boas leituras a todas e até lá, bjo, Titina.

domingo, 3 de agosto de 2025

Verônica e os Pinguins- Hazel Prior

 Ata de nossa reunião de 09 de julho de 2025



Hora: 19h 

Lugar: Restaurante MÜ, Rua Eudoro Berlinck, 260

Livro: Verônica e os Pinguins, de Hazel Prior.

Compareceram ao encontro 7 (sete) integrantes do clube: Cleo, Karen, Karin, Lídia, Lise, Suzana e Titina.

Aperitivamos e tomamos vinho branco, como quase sempre. 

Iniciou-se conversando sobre variados assuntos, em especial homeopatia, suas variantes, médicos da especialidade, dicas de tratamento, tendo sido elogiados bons resultados obtidos por parte das amigas.

A Karin, a seguir, gentilmente nos brindou com deliciosos chocolates da loja Just Chocolate, na Galeria Casa Prado, da sua filha, Paula.  Chocolates gourmet, amargos, com inusitados sabores, como por exemplo cristais de vinho e framboesa e limão. Foram muito apreciados!  Todas adoraram a doce surpresa.

Comentou-se, ainda, a visita realizada no dia 02 de julho pelas integrantes do Clube à nova loja da Florense, a convite da Karin, que organizou e agendou o evento junto à administração do estabelecimento.  Quem participou adorou.  A loja é um show, linda, enorme, com variados e bem decorados ambientes, em que expostos e apresentados elementos modernos e mesmo futuristas de móveis.  Ao final da visita, pôde-se conhecer o café da loja, em que nos serviram deliciosos salgados e doces, muito apreciados.  Um chá completo, na verdade.  

Falou-se, ainda da Saccaro, de outras lojas de móveis, da loja de moda feminina Was, da semana de alta costura de Paris para a temporada outono/inverno 2025-2026 que acontecia naquela semana, de 7 a 10 de julho de 2025, e que é acompanhada pela Cleo, que nos noticiou as novidades e tendências.  Comentou-se, ainda, um pouco, das últimas medidas do Trump  divulgadas um pouco antes de nossa reunião.  Tiramos, então, a foto.

A seguir, passamos ao livro.  Falei da autora Hazel Prior. Hazel nasceu em Oxford, Inglaterra e é uma harpista celta e autora de cinco romances best-sellers. Aborda, em seus livros, temas de vida selvagem e meio ambiente.  Fez muito sucesso com o livro que lemos este mês – Verônica e os Pinguins. Atualmente, ela mora em Exmoor, no sudoeste da Inglaterra, tendo sido comentado que vive com um gato ruivo. 

A seguir, a  Lidia fez a primeira apreciação.  Comentou que o início do livro não empolga, mas a história se torna envolvente com o tempo, à medida que os personagens se desenvolvem. O livro é narrado em primeira pessoa, alternando entre Verônica e Patrick. Quando Patrick lê os diários da avó, a narrativa se aprofunda, revelando uma história comovente de uma adolescente durante a guerra, com destaque para o vínculo familiar. Um ponto forte do livro é a recomendação de um pai à filha em momento de separação, que Verônica carrega por toda a vida e que Lidia observa constituir-se em um gancho para o livro que lemos no mês passado. Por fim, os pinguins são destacados como maravilhosos, com um convívio social e familiar superior ao da sociedade humana, conforme mencionado na página 152 do livro. O livro conta a história de Verônica, uma idosa, de 85 anos, que leva uma vida solitária, e que  começa a refletir  sobre a quem deixará sua enorme fortuna. Assistindo na televisão a um documentário sobre um centro de estudos de pinguins na Antártica, decide passar uma temporada lá, local sabidamente inóspito.  No decorrer do livro acompanhamos a sua  descoberta da existência de um parente vivo, que se torna protagonista em paralelo – Patrick - as novas amizades feitas na Antártica, a revelação de sua vida, de traumas passados e a situação dos pinguins no extremo sul do planeta, que precisam de ajuda.  O livro é narrado  sob diversos pontos de vista e se constitui em uma história sobre amadurecimento, família, encontros e reencontros.

Inauguramos a ampulheta, com a concessão de até 3 (três) minutos para cada integrante do Clube falar.

Cléo mencionou a paixão de Verônica pelo Giovanni. Não gostou do livro, no início, depois apreciou. Lise gostou muito apesar dos temas tratados, pesados, como solidão, perdão, pazes com o passado.  Mostra transformações pessoais, uma mensagem de esperança, de que sempre seria tempo de se fazer concessões. Suzana gostou da leveza, achou o livro agradável, interessante, apreciou a ironia inglesa, afeiçoou-se ao pinguim e gostaria que eles tivessem ficado com ele.  Karen chamou a atenção para a repressão aos sentimentos da protagonista principal. Perdeu os pais, o filho, o namorado, e queria encontrar alguém para amar.  Por meio dos pinguins, encontrou o neto.  Titina gostou muito da leitura e pontuou que, através dos pinguins, de um em especial, o Patrick, aproximou-se do neto, que tem o mesmo nome e serviu de inspiração para o nome dado ao pinguim.  

A utilização da ampulheta foi considerada uma experiência exitosa.  Então, por enquanto pelo menos, se continuará a utilizá-la. Serviu para organizar o debate, possibilitando a todos o registro de comentários sobre a leitura.

Continuou-se falando de psicopatia, que acometeria, ainda que de forma leve, 25% da população.  Personalidade narcisista, controle, o fato de as pessoas não mudarem as outras. Foram dadas dicas de série, dentre as quais “A Reserva”.  Houve assuntos referentes a filhos, dores do crescimento, ao motivo das coisas, e foi muito comentada uma importante frase do pai da Veronika, que merece registro: “Existem três tipos de pessoas no mundo, Very. Há aquelas que tornam o mundo pior, aquelas que não fazem diferença, e aquelas que tornam o mundo melhor. Se puder, seja uma daquelas que tornam o mundo melhor.”  Essa frase tem um peso emocional bastante forte e serve como um importante guia moral para a protagonista. 

Pedimos sobremesas de morango e abacaxi, conversou-se mais um pouco e foi marcada a próxima reunião para o dia 06/08, quarta-feira, no mesmo restaurante, Mü, às 19:00 horas. 

O livro escolhido foi O desabamento, de Édouard Louis.

Beijo às amigas, e até lá, Titina.

quinta-feira, 19 de junho de 2025

Kim Jiyoung, Nascida em 1982 - Cho Nam-Joo


 Ata de nossa reunião de 04 de junho de 2025



Hora: 19h 

Lugar: Restaurante MÜ, Rua Eudoro Berlinck, 260

Livro: Kim Jiyoung, Nascida em 1982, de Cho Nam-Joo.

Compareceram ao encontro 9 (nove) integrantes do clube: Cleo, Denise, Evelyn, Karen, Karin, Lídia, Lise, Suzana e Titina.

Não houve aperitivo, dessa vez.  Pedimos os pratos diretamente.

Iniciou-se conversando, livremente, sobre vários assuntos, amizades, fez-se o brinde, com vinho branco. Sugeri, para próxima reunião que se utilize uma ampulheta, de 3 minutos, para que cada integrante do Clube fale nas reuniões com essa limitação temporal.  A ideia foi aprovada.  Será testada na próxima reunião, e então avaliada a conveniência de se utilizar essa modalidade. 

Falei um pouco sobre a autora Cho Nam-joo. Trata-se de uma escritora sul-coreana nascida em 1978, em Seul, socióloga por formação, que  trabalhou por cerca de uma década como roteirista de programas de televisão voltados a temas atuais. Após deixar o trabalho para cuidar de sua filha, enfrentou dificuldades para retomar a carreira, experiência que inspirou sua obra mais conhecida, que é justamente o livro que lemos este mês. O romance, Kim Jiyoung, Nascida em 1982, foi publicado em 2016, e tornou-se um fenômeno literário na Coreia do Sul, vendendo mais de um milhão de cópias, sendo traduzido para mais de 18 idiomas. A obra é considerada um marco no debate sobre desigualdade de gênero no país, ao retratar a vida de uma mulher comum que enfrenta diversas formas de discriminação ao longo de sua trajetória. O livro foi adaptado para o cinema em 2019.  A autora é  reconhecida por sua escrita direta e por abordar questões sociais relevantes, especialmente relacionadas à condição feminina na sociedade sul-coreana. Além de Kim Jiyoung, Nascida em 1982, publicou outras obras que exploram temas semelhantes, consolidando-se como uma voz importante na literatura contemporânea da Coreia do Sul.

Passou-se, então ao debate sobre o livro. 

A Lidia fez a primeira apreciação.  Gostou do livro. Comenta que ele se constitui como um retrato direto e objetivo das injustiças enfrentadas pelas mulheres na sociedade. Mostra que “ser mulher” é uma experiência coletiva marcada por desigualdades estruturais, comuns em diferentes contextos, apesar das particularidades culturais. A obra não trata de machismo de forma aberta, mas sim da forma como a sociedade naturaliza a desigualdade de gênero, exigindo que mulheres enfrentem julgamentos e silenciamentos constantes, especialmente no ambiente familiar, onde os homens ocupam o papel de “ajuda” e não de corresponsáveis.

Todas gostaram da obra, que ensejou um bom debate sobre a vida das mulheres, mas também houve críticas ao fato de as mulheres muitas vezes se colocarem na posição de vítimas, assim, como a personagem do livro, com quem muitas não simpatizaram tanto.

Falou-se ainda sobre impostos, tributação, aposentadorias, isenções, ioga, procedimentos médicos, dermatológicos, e outros assuntos, em conversas paralelas, ou não.

Foi tirada a foto e jantou-se, sempre muito boa a comida: atum selado em especial, camarões e outras especialidades da casa. Vinho branco e água, sobremesas compartilhadas.  Foi tirada a foto. 

Conversou-se mais um pouco e foi marcada a próxima reunião para o dia 08/07, terça-feira, no mesmo restaurante, Mü, às 19:00 horas. 

O livro escolhido foi Veronica e os Pinguins, de Hazel Prior.

Beijo às amigas, e até lá, Titina.

segunda-feira, 5 de maio de 2025

PARA ENTENDER O ESTOICISMO - Matthew J. Van Natta

 


Ata de nossa reunião de 15 de abril de 2025


Hora: 19h 
Lugar: Restaurante MÜRua Eudoro Berlinck, 260

Livro: Para Entender o Estoicismo, de Matthew J. Van Natta

 

Compareceram ao encontro 6 (seis) integrantes do clube: Cleo, Karin, Lídia, MaluSuzana e Titina.

 

Degustamos, como entrada, camarões empanados.

 

As conversas, nessa reunião, giraram todas em torno do recente falecimento de nossa querida amiga Arlete, que integrou o Clube nos seus primeiro anos de existência.  Sua morte foi comentada, todas estão muito impactadas com o evento, totalmente inesperado. Foram rememorados momentos felizes que se viveu com a amiga e o quanto foi homenageada com a presença no velório do grande número de amigos que com sua alegrai e entusiasmo conquistou ao longo da vida. 

 

Falei um pouco sobre o autor Matthew J. Van, criador do podcast estoico Good Fortune e do site ImmoderateStoic.com. Seus escritos concentram-se na aplicação diária da filosofia estóica no mundo moderno. Ele vive com sua esposa e filha em Portland, Oregon.

 

A seguir, foi comentado o livro Para Entender o Estoicismo: a Arte do bem Viver da Filosofia Estoica Para Encontrar Resiliência Emocional e Positividade.  Foi apreciado, mas sem maior entusiasmo.  A obra se constitui em um guia acessível e prático para quem busca resiliência emocional e positividade diante dos desafios da vida. O livro introduz os princípios do estoicismo — filosofia nascida na Grécia Antiga — e mostra como eles podem ser aplicados no cotidiano para lidar melhor com emoções, adversidades e expectativas. Van Natta traduz conceitos filosóficos complexos em ensinamentos simples e eficazes, exaltando a sabedoria que há na simplicidade. A leitura convida à prática, com impacto transformador relatado por leitores que enfrentam crises pessoais. O texto enfatiza que o estoicismo não é uma filosofia fria, mas sim uma celebração da vida, baseada em gratidão, reflexão e na busca de alegria nas pequenas coisas. O autor não apenas oferece conselhos, mas provoca uma mudança de mentalidade e incentiva o leitor a adotar o estoicismo como um estilo de vida necessário e acessível, especialmente em tempos de incerteza.

 

Tratando-se de filosofia, concordou-se que foi importante um contato com o estoicismo. Não gerou debate por não encerrar polêmica.  E, havendo a presença de tão poucas amigas a essa reunião, não houve conversas paralelas, o que merece registro.  Ou seja, foi uma reunião bem diferente das que costumam ocorrer.

 

Jantou-se, sempre muito boa a comida: atum selado e arroz com camarõesVinho branco e água, sobremesas compartilhadas.  Foi tirada a foto. 

 

Conversou-se mais um pouco e foi marcada apróxima reunião para o dia 04/06quarta-feira, no mesmo restaurante, , às 19:00 horas

 

O livro escolhido foi Kim Jiyoung, nascida em 1982, de Cho Nam-Joo.

 

Beijo às amigase até láTitina.