Ata de nossa reunião de 27 de julho de 2026
Hora: 19h – segunda-feira
Lugar: Restaurante Narbona - Bourbon Carlos Gomes, na Av. Carlos Gomes, 707, 2º andar
Livro - “Caos Calmo” de Sandro Veronesi
Compareceram ao encontro 9 (nove) integrantes do clube: Cleo, Denise, Evelyn, Lidia, Karen, Karin, Malu e Titina.
Fomos acomodadas em uma sala envidraçada na entrada do restaurante, à direita, decorada com prateleiras e enormes queijos. Iniciou-se, como sempre, com muita conversa variada. Novos netos de algumas amigas a caminho, saudades entre todas, variados comentários e assuntos sem fim. O restaurante nos ofereceu uma garrafa cortesia de vinho Pinot Grigio, de sua produção, com o qual brindamos. De entrada, pães da casa com manteiga, tudo muito bom. A seguir continuamos com vinho Albariño também produzido pela Bodega Narbona.
Logo já começaram as conversas, paralelas, sobre o livro. Algumas amigas viram o filme “Calmo Caos”.
Falei, então, sobre o autor, já conhecido do Clube, Sandro Veronesi, italiano, nascido em 1959. Com esse livro, em 2006, ele ganhou o Prêmio Strega, prêmio literário mais prestigiado na Itália. Voltou a ser premiado em 2020 com o seu romance Colibri. Já lemos dele “Setembro Negro”.
A seguir, a Lídia apresentou um breve resumo da obra, adiantando algumas apreciações, que sintetizo a seguir:
“O livro começa com uma situação improvável: Pietro salva uma mulher do afogamento no mar enquanto, simultaneamente, sua esposa morre em casa de mal súbito, na frente da filha de 10 anos. Após a tragédia, ele passa a esperar a filha todos os dias na porta da escola - um gesto que vira metáfora de proteção e isolamento ao mesmo tempo. Durante essas esperas, desfila uma série de personagens que o fazem refletir sobre sua vida.
Pontos de análise do texto:
Fuga do melodrama — a dor não vira choro excessivo, mas pausa reflexiva;
Dinâmica invertida — a rotina estranha cria uma bolha de proteção;
Ritmo lento — a narrativa aposta no monólogo interno e em conversas cotidianas;
O final (pág. 426) é o ponto mais tocante: Pietro percebe que ficava na escola achando que fazia bem à filha, mas na verdade estava fazendo bem a si mesmo - enquanto ela era ridicularizada pelos colegas por causa disso. É a própria filha de 10 anos, recém-órfã de mãe, quem o confronta e o manda embora, dizendo que ele precisa voltar ao trabalho, pensar no futuro e "dar um rumo" à vida — porque "o caos que governa as crianças é bonito, mas você é um homem."
Passamos, então, às apreciações, com o uso da ampulheta, e os comentários foram variados. Algumas gostaram, outras gostaram muito, e houve quem não tenha apreciado o livro.
Dentre as interpretações, pode-se registrar que a conclusão geral é de que o livro seja muito bem escrito, embora algumas amigas tenham achado descritivo demais. Conclui-se, também, que o personagem não era apaixonado pela sua mulher, que morreu enquanto ele salvava uma estranha, que estava se afogando na praia. O personagem não se entende, tem um luto diferente pela perda da mulher, e culpa-se por isso. Não enfrenta bem a situação. Paralisado, espera que venha a dor que não chega. Em vez de reagir como socialmente esperado, e usual, decide parar, e dedica-se, involuntariamente, a ouvir as dores alheias, adiando a escuta de si mesmo. Enquanto ouve as dores dos outros, lida o tempo todo com a própria culpa de sentir que não está, de fato, sofrendo. A pausa para elaborar a perda é, contraditoriamente, uma cansativa espera da dor que não vem. O final, e aí acho que todas concordaram, é muito bom. Fazia bem a si mesmo, na verdade, enquanto achava estar fazendo bem à filha, que em uma conversa bastante madura aborda de forma extremamente delicada a questão, chama-o à realidade.
Passou-se, então, a jantar, apreciando os pedidos feitos. Em especial carnes, com acompanhamentos, e um toque uruguaio nos pratos.
Conversou-se bastante, foi comentado o filme “A Odisseia”, de Christopher Nolan, que recém havia entrado em cartaz, e muito elogiado pela crítica.
Foram pedidas variadas sobremesas compartilhadas por todas, como sempre. Sobremesa com abacaxi, sorvete de pistache, de figos com nozes e as famosas panquecas de doce de leite.
Escolheu-se, então, o livro do próximo mês. Foram várias as sugestões: “Os Esquecidos de Domingo”, de Valérie Perrin, “Mapeador de Ausências” de Mia Couto, “Via Gemito” de Domenico Starnone e “As Pequenas Alegrias”, de Virginie Grimaldi, que foi o livro eleito para leitura.
Já no fim da reunião, chegou uma integrante do clube co-irmão de Miami, Beth Kuhn Deakin, que estava de passagem em Porto Alegre. A Beth, que é amiga de várias integrantes do Clube, já esteve conosco participando da primeira reunião, quando deu dicas do funcionamento do seu clube, que é mais antigo, em Miami. Tem, ainda, sugerido livros para leitura ao longo dos anos. Na oportunidade, citou alguns livros que leram recentemente: “A Correspondente”, de Virginia Evans, “Um Corpo no Gelo” de Ariel Lawhon
e “Velar por Ela” (Vencedor do Goncourt 2023), de Jean-Baptiste Andrea.
Escolhido o livro “As Pequenas Alegrias”, de Virginie Grimaldi, marcou-se a data da próxima reunião para o dia 26/08, uma quarta-feira, em princípio no mesmo restaurante, a confirmar-se mais perto da data.
Boas leituras, beijos a todas e até lá, Titina.


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