Ata de nossa reunião de 23 de junho de 2026
Hora: 19h – terça-feira
Lugar: Restaurante Ristorantino - Bourbon Carlos Gomes, na Av. Carlos Gomes, 707, loja 224, 3º andar
Livro - “A Carne” de Rosa Montero
Compareceram ao encontro 07 (sete) integrantesdo clube: Cleo, Evelyn, Karen, Karin, Lise, Suzana e Titina.
Iniciou-se, como sempre, com muita conversasobre assuntos da ocasião, amigas, viagens, novo salão de beleza, musicais no exterior, Washington, Nashville, Fernando de Noronha, João Pessoa, bebidas, exames, resultados, os malefícios da bebida alcoólica, os benefícios da bebida alcoólica, recentes incêndios em Porto Alegre, lareiras ecológicas e seus perigos, dentre outros variadíssimos assuntos e comentários.
Logo começaram os brindes com vinho branco, enquanto degustávamos o couvert (pãezinhos, azeite, queijinhos e pastinhas) e fizemos os pedidos: escolhidas massas raviólis, lasanhas e outras massas, especialidade do restaurante.
Falei, então, sobre a autora, Rosa Montero, renomada jornalista e escritora espanhola. Nascida em Madri, em 1951, destacou-se tanto por sua trajetória no jornalismo quanto por sua vasta produção literária. Durante décadas, atuou no jornal El País, onde construiu sólida reputação como entrevistadora e chegou a ocupar o cargo de redatora-chefe. Sua obra transita entre a ficção, a memória e o ensaio, explorando temas recorrentes como a loucura, a morte, o luto, a identidade e a criatividade.
Montero estreou na ficção em 1979 e, desde então, publicou mais de trinta livros, marcados por uma escrita intimista, inteligente e frequentemente bem-humorada. Pelo conjunto de sua obra, recebeu o prestigioso Prêmio Nacional das Letras Espanholas. O grupo já havia lido outra obra da autora, A Ridícula Ideia de Nunca Mais Te Ver, uma das mais conhecidas e celebradas de sua carreira.
Sua infância foi marcada por dificuldades materiais, embora tenha crescido em um ambiente familiar boêmio, pouco preocupado com distinções de classe social, mesmo sob a ditadura franquista. Ainda criança, contraiu tuberculose e passou longos períodos reclusa. Foi nessa época que descobriu a leitura e desenvolveu o hábito da escrita, que mais tarde se tornaria uma necessidade vital. Ingressou inicialmente no curso de Filosofia da Universidade Complutense de Madri, mas, aos 17 anos, decidiu dedicar-se ao Jornalismo, área na qual construiu uma carreira de grande prestígio.
Sua vida pessoal também foi profundamente marcada por grandes amores e perdas. Viveu durante 21 anos com seu companheiro, cuja morte, em decorrência de um câncer de pulmão, em 2008, teve um impacto devastador sobre ela. A experiência do luto transformou-se em matéria-prima para A Ridícula Ideia de Nunca Mais Te Ver. Nessa obra, Rosa Montero parte dos diários escritos por Marie Curie após a morte de seu marido para refletir sobre sua própria dor, encontrando na escrita uma forma de elaborar a perda e, ao mesmo tempo, celebrar a vida.
Apesar dos momentos difíceis que atravessou, a escritora se define como uma pessoa alegre e apaixonada pela existência. Suas reflexões sobre os limites da mente, a finitude humana e o valor dos pequenos acontecimentos do cotidiano permeiam grande parte de sua produção literária.
A seguir, apresentei o breve resumo do livro que a Lídia me encaminhou, impossibilitada de comparecer ao encontro em razão de estar resfriada: “Soledad, 60 anos, uma respeitada curadora de exposições de arte, vive uma dor de cotovelo, depois de ser deixada por um homem casado, 10 anos mais jovem. Buscando uma cura para sua fossa, ela se dispõe a encomendar o ex. Contrata um belo jovem que trabalha com sexo, para acompanhá-la à ópera, onde sabia da presença do ex com a esposa, e acaba apaixonada pelo rapaz. Paralelamente, Adam continua atendendo sua clientela. Soledad apaixonada, aumenta os cuidados com o corpo para evitar as marcas da vida, refletindo sobre a angústia da finitude. O relacionamento leva-a a recordar de histórias de amor de diversos escritores e, num capítulo, a própria autora, Rosa Montero, aparece na trama conversando com Soledad. Estaa descreve como alguém desajeitada, com pressa, espalhando casacos, bolsa, cachecol e livros que tomaram conta de todo o espaço. A personagem Soledad repara que Rosa veste roupas da Zara ou algo pior, de lojas de departamentos para adultos. Comenta: “ainda que não sendo jovem, procurara se vestir como tal”. A leitura é ágil, cujos recheios surpreendem, provocando certa ansiedade na busca do desfecho.”.
Passamos, então, às apreciações, com o uso da ampulheta, em especial diante da ausência denossa presidente, que sempre diligencia pela disciplina na exposição das ideias.
As primeiras impressões sobre a obra foram predominantemente negativas. Algumas leitoras a consideraram fraca, frustrante e desprovida do erotismo que o título poderia sugerir. O livro foi percebido como uma soma de histórias inconclusas, sem maior encadeamento narrativo, mais próximo de uma sucessão de lembranças e episódios de vida envolvendo personagens marcados pela carência afetiva e existencial.
Embora tenha sido reconhecida a qualidade da escrita da autora, houve a percepção de que o conteúdo não corresponde à sua habilidade literária, tornando a leitura pouco prazerosa e a narrativa insuficientemente envolvente. Ainda assim, algumas participantes destacaram que a obra suscita reflexões interessantes sobre sexualidade na maturidade, envelhecimento e o medo da decadência física e emocional - temas que, na avaliação delas, poderiam ter sido explorados com maior profundidade.
O título foi considerado bastante apropriado, especialmente por remeter às inquietações da protagonista diante do envelhecimento, do fracasso e da possibilidade de perder a lucidez, à semelhança do que ocorreu com sua irmã.
Algumas leitoras chegaram a classificar a obra como o livro mais fraco da autora, questionando se ela não estaria perdendo a capacidade de construir boas histórias. Houve também quem visse a protagonista como uma figura assediadora e até com traços psicopáticos, avaliando a obra de forma extremamente desfavorável.
Por fim, algumas participantes consideraram inverossímil a ideia de a personagem, apaixonada pelo acompanhante contratado, dispor-se a ajudálo a emigrar, com mulher e filha.
Passou-se, então, a jantar, apreciando os pedidos feitos.
Conversou-se bastante, ainda, sobre casamentos, amigas, repetição de comportamentos, Copa do Mundo, homens bondosos, mulheres fortes, padres, religião, confissão, celibato, Ioga kundaline e a representação da cobra, e muito mais.
De sobremesa, inicialmente o restaurante serviu como cortesia uma pequena porção de sorvete de guabiroba. A seguir, dividimos pudim de pistachee outra sobremesa, tudo muito bem apresentado. Depois, tiramos a foto e, por fim, café e chá, com chocolatinhos, biscoitinhos e casca de laranja cristalizada, com chocolate.
Dessa vez, a reunião se alongou no tempo, acabando mais tarde do que o habitual, o que proporcionou muita interação e conversas. Contribuiu para isso, possivelmente, o ambiente aconchegante separado para a nossa mesa e a beleza do restaurante, muito bem decorado.
Escolhido o livro “Caos Calmo” de Sandro Veronesi , marcou-se a data da próxima reunião para o dia 27/07, uma segunda-feira, em princípio no mesmo restaurante.
Boas leituras, bjo a todas e até lá, Titina.
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