Por sugestão de uma amiga interessada em reunir o grupo e incentivar a leitura, criamos de forma bastante informal, um CLUBE DE LEITURA que está em plena atividade e já debate (outubro de 2011) seu quarto livro. Nossos encontros são mensais e  recheados de muitas discussões. Como não somos experts, muito menos críticos literários, debatemos os sentimentos que os livros nos proporcionam, o que tem se mostrado muito rico do ponto de vista do crescimento individual e da convivência coletiva fraterna.
         A criação deste Blog é para que registremos a trajetória do Clube. O nome TOSCANA, surge para homenagear  aquela região italiana que, após  uma viagem que fizemos ( entre 11 casais)  para visitá-la, em abril de 2011, ela ficou indelevelmente marcada nos nossos corações. Como a criação do CLUBE DE LEITURA,  decorreu da parceria desenvolvida naquela viagem, a continuidade  do convívio daquele grupo (hoje ampliado), também justifica a homenagem.
         Este  Blog, que é restrito às participantes do CLUBE DE LEITURA TOSCANA, poderá conter  toda espécie de comentários, sugestões e propostas referentes a livros (lidos ou não), filmes, músicas,  peças teatrais e/ou shows , sobre os quais queiramos compartir impressões.
Bem vindas amigas!

terça-feira, 11 de agosto de 2026

CAOS CALMO - Sandro Veronesi

 



Ata de nossa reunião de 27 de julho de 2026

 

Hora: 19h – segunda-feira

Lugar: Restaurante Narbona - Bourbon Carlos Gomes, na Av. Carlos Gomes, 707, 2º andar 

Livro - “Caos Calmo” de Sandro Veronesi 

 

Compareceram ao encontro 9 (nove) integrantes do clube: Cleo, Denise, Evelyn, Lidia, Karen, Karin, Malu, Lise e Titina.

 

Fomos acomodadas em uma sala envidraçada na entrada do restaurante, à direita, decorada com prateleiras e enormes queijos.  Iniciou-se, como sempre, com muita conversa variada. Novos netos de algumas amigas a caminho, saudades entre todas, variados comentários e assuntos sem fim.  O restaurante nos ofereceu uma garrafa cortesia de vinho Pinot Grigio, de sua produção, com o qual brindamos.  De entrada, pães da casa com manteiga, tudo muito bom. A seguir continuamos com vinho Albariño também produzido pela Bodega Narbona.

 

Logo já começaram as conversas, paralelas, sobre o livro.  Algumas amigas viram o filme “Calmo Caos”.

 

Falei, então, sobre o autor, já conhecido do Clube, Sandro Veronesi, italiano, nascido em 1959.  Com esse livro, em 2006, ele ganhou o Prêmio Strega, prêmio literário mais prestigiado na Itália.  Voltou a ser premiado em 2020 com o seu romance Colibri. Já lemos dele “Setembro Negro”.

 

A seguir, a Lídia apresentou um breve resumo da obra, adiantando algumas apreciações, que sintetizo a seguir:

 

“O livro começa com uma situação improvável: Pietro salva uma mulher do afogamento no mar enquanto, simultaneamente, sua esposa morre em casa de mal súbito, na frente da filha de 10 anos. Após a tragédia, ele passa a esperar a filha todos os dias na porta da escola - um gesto que vira metáfora de proteção e isolamento ao mesmo tempo. Durante essas esperas, desfila uma série de personagens que o fazem refletir sobre sua vida.

Pontos de análise do texto:

Fuga do melodrama — a dor não vira choro excessivo, mas pausa reflexiva;

Dinâmica invertida — a rotina estranha cria uma bolha de proteção;

Ritmo lento — a narrativa aposta no monólogo interno e em conversas cotidianas;

 

O final (pág. 426) é o ponto mais tocante: Pietro percebe que ficava na escola achando que fazia bem à filha, mas na verdade estava fazendo bem a si mesmo - enquanto ela era ridicularizada pelos colegas por causa disso. É a própria filha de 10 anos, recém-órfã de mãe, quem o confronta e o manda embora, dizendo que ele precisa voltar ao trabalho, pensar no futuro e "dar um rumo" à vida — porque "o caos que governa as crianças é bonito, mas você é um homem." 

 

Passamos, então, às apreciações, com o uso da ampulheta, e os comentários foram variados.  Algumas gostaram, outras gostaram muito, e houve quem não tenha apreciado o livro. 

 

Dentre as interpretações, pode-se registrar que a conclusão geral é de que o livro seja muito bem escrito, embora algumas amigas tenham achado descritivo demais. Conclui-se, também, que o personagem não era apaixonado pela sua mulher, que morreu enquanto ele salvava uma estranha, que estava se afogando na praia. O personagem não se entende, tem um luto diferente pela perda da mulher, e culpa-se por isso. Não enfrenta bem a situação.  Paralisado, espera que venha a dor que não chega.  Em vez de reagir como socialmente esperado, e usual, decide parar, e dedica-se, involuntariamente, a ouvir as dores alheias, adiando a escuta de si mesmo.  Enquanto ouve as dores dos outros, lida o tempo todo com a própria culpa de sentir que não está, de fato, sofrendo.  A pausa para elaborar a perda é, contraditoriamente, uma cansativa espera da dor que não vem.  O final, e aí acho que todas concordaram, é muito bom. Fazia bem a si mesmo, na verdade, enquanto achava estar fazendo bem à filha, que em uma conversa bastante madura aborda de forma extremamente delicada a questão, chama-o à realidade. 

 

Passou-se, então, a jantar, apreciando os pedidos feitos. Em especial carnes, com acompanhamentos, e um toque uruguaio nos pratos.

 

Conversou-se bastante, foi comentado o filme “A Odisseia”, de Christopher Nolan, que recém havia entrado em cartaz, e muito elogiado pela crítica.

 

Foram pedidas variadas sobremesas compartilhadas por todas, como sempre. Sobremesa com abacaxi, sorvete de pistache, de figos com nozes e as famosas panquecas de doce de leite.

 

Escolheu-se, então, o livro do próximo mês.  Foram várias as sugestões: “Os Esquecidos de Domingo”, de Valérie Perrin, “Mapeador de Ausências” de Mia Couto, “Via Gemito” de Domenico Starnone e “As Pequenas Alegrias”, de Virginie Grimaldi, que foi o livro eleito para leitura.

 

Já no fim da reunião, chegou uma integrante do clube co-irmão de Miami, Beth Kuhn Deakin, que estava de passagem em Porto Alegre. A Beth, que é amiga de várias integrantes do Clube, já esteve conosco participando da primeira reunião, quando deu dicas do funcionamento do seu clube, que é mais antigo, em Miami. Tem, ainda, sugerido livros para leitura ao longo dos anos. Na oportunidade, citou alguns livros que leram recentemente: “A Correspondente”, de Virginia Evans, “Um Corpo no Gelo” de Ariel Lawhon

e “Velar por Ela” (Vencedor do Goncourt 2023), de Jean-Baptiste Andrea.

 

         Escolhido o livro “As Pequenas Alegrias”, de Virginie Grimaldi, marcou-se a data da próxima reunião para o dia 26/08, uma quarta-feira, em princípio no mesmo restaurante, a confirmar-se mais perto da data.

         

Boas leituras, beijos a todas e até lá, Titina.