Por sugestão de uma amiga interessada em reunir o grupo e incentivar a leitura, criamos de forma bastante informal, um CLUBE DE LEITURA que está em plena atividade e já debate (outubro de 2011) seu quarto livro. Nossos encontros são mensais e  recheados de muitas discussões. Como não somos experts, muito menos críticos literários, debatemos os sentimentos que os livros nos proporcionam, o que tem se mostrado muito rico do ponto de vista do crescimento individual e da convivência coletiva fraterna.
         A criação deste Blog é para que registremos a trajetória do Clube. O nome TOSCANA, surge para homenagear  aquela região italiana que, após  uma viagem que fizemos ( entre 11 casais)  para visitá-la, em abril de 2011, ela ficou indelevelmente marcada nos nossos corações. Como a criação do CLUBE DE LEITURA,  decorreu da parceria desenvolvida naquela viagem, a continuidade  do convívio daquele grupo (hoje ampliado), também justifica a homenagem.
         Este  Blog, que é restrito às participantes do CLUBE DE LEITURA TOSCANA, poderá conter  toda espécie de comentários, sugestões e propostas referentes a livros (lidos ou não), filmes, músicas,  peças teatrais e/ou shows , sobre os quais queiramos compartir impressões.
Bem vindas amigas!

quinta-feira, 5 de novembro de 2026

OS CEM ANOS DE LENNi E MARGOT

 

Ata de nossa reunião de 04 de novembro de 2026

Hora: 19h – terça-feira

Lugar: Restaurante Mandarinier, na Rua Santo Inácio, 295, Moinhos de Vento

Livro - “Os Cem Anos de Lenni e Margot” de Marianne Cronin.

Compareceram ao encontro neste mês, 9 (nove) integrantes do clube: Cleo, Denise, Karin, Karen, Lídia, Lise, Malu, Suzana e Titina.

Nossa reunião iniciou pontualmente às 19h. Cheguei às 19h01, quase pontual, e a mesa já estava quase completa. A reunião se deu em uma sala privativa, com apenas a nossa mesa, bem separada do salão principal do restaurante. Muito bonita e confortável, com as paredes pintadas à mão, restauradas da pintura original da casa. Elogiou-se novamente a decoração e logo fizemos o pedido de entrada, pãezinhos com creme azedo e outras pastinhas e vinho branco, mais águas, para acompanhar. Tivemos certa dificuldade na escolha do vinho, optando, ao final, por um Chardonnay.

Enquanto esperávamos que o quórum se completasse, conversou-se bastante. Sobre assuntos variados, viagens, planos para o Natal, para o verão,  cachorros.  Quanto aos cachorros, concluiu-se que nenhuma integrante do Clube tem pets atualmente. 

Fizemos então os pedidos: cinco pedidos de camarões com massa, um de arroz com moranga e três de nhoques com vazio.

A seguir, começamos a reunião.  Falei sobre a autora:  Marianne Eve Cronin, inglesa, nascida em 1990, uma romancista e comediante de improvisação.  Seu romance de estreia, que foi o livro que lemos esse último mês - Os Cem Anos de Lenni e Margot, ganhou o prêmio Alex Award.  Esse prêmio anualmente reconhece os dez livros escritos para adultos que têm apelo especial para jovens de 12 a 18 anos. Desde 2002, os Prêmios Alex são administrados pela Young Adult Library Services Association (Associação de Serviços Bibliotecários para Jovens). O livro foi publicado em maio de 2021 e narra uma amizade intergeracional.  Seu segundo livro tem uma temática parecida, é sobre uma amizade intergeracional, também,  entre um homem de 90 anos Eddie que nunca encontrou o amor e uma viúva recente de 24 anos Bella.

A seguir, a Lídia traz sua apreciação, com uma resenha do livro:

O livro surpreende. Parece que vai ser uma leitura dolorosa, mas a história transmite vida e esperança justamente por meio de personagens que já quase não têm nenhuma das duas. O mais impressionante é que um tema tão sombrio seja tratado com tanta leveza. As personagens são apaixonantes e vivem o presente com alegria, generosidade e criatividade.

A trama gira em torno de Lenni, uma jovem de 17 anos com doença terminal, internada em um hospital. Ela começa a frequentar a recém-criada aula de arteterapia da instituição e lá conhece Margot, uma senhora de 83 anos, também gravemente doente, que logo se identifica com ela. As duas percebem que, somadas, suas idades chegam a 100 anos, e decidem criar uma ilustração para cada ano vivido. A partir desse projeto, acompanhamos duas vidas muito diferentes: a de Margot, nascida em tempos de guerra, e a de Lenni, curta mas cheia de adversidades.

Chama a atenção a atitude de Lenni. Em vez de se perguntar por que o mundo é tão injusto, ela procura explorar e encontrar alegria naquele ambiente hostil. Faz isso importunando o padre na capela com perguntas inconvenientes, inventando histórias sobre enfermeiras e funcionários e ouvindo Margot contar uma vida que, para Lenni, parece ter acontecido em outro mundo. Margot, por sua vez, ao relembrar sua história turbulenta, tenta dar um novo sentido aos momentos vividos e às dores que passou.

O livro não traz grandes respostas, como as que Lenni insiste em pedir ao padre Arthur, nem um grande significado. As coisas na vida simplesmente acontecem, às vezes de forma caótica, até chegar ao fim.

E, então, passamos ao debate.  Com poucas exceções (eu e a Karen) todas gostaram muito do livro.  Acharam engraçado em algumas partes, como nos questionamentos ao padre. A autora mostra vivência e experiência com os mais velhos, ainda que seja bem jovem.  Os relacionamentos de Margot impressionaram.  Primeiro o marido Johnny, com quem se casou em 1951.  Perderam um bebê, o que abalou o casamento que findou em 1956. Teve um segundo marido, Humphrey James, um astrônomo excêntrico que morava numa casa de fazenda reformada e bagunçada em uma cidade do interior. Conheceram em 1971 e casaram em 1979. Anos depois, Humphrey desenvolveu demência e morreu tranquilamente ao lado do seu telescópio. Mas Margot relacionou-se também com  Meena. Nunca casaram, mas foi o grande amor da vida dela. Margot já amava Meena antes de conhecer o segundo marido. Foi comentado que a convivência de Margot com Lenni fez com que Margot refletisse sobre a sua vida. Agradou ainda a ideia das 100 pinturas, que é o gancho para que cada uma das personagens contasse sua vida. 

Falou-se mais de questões atuais, médicos, ginecologistas, clínicos gerais, planos de saúde, e um pouco sobre o livro do mês anterior, Via Gemito, e sobre narcisistas, ciumentos, carências, mulheres independentes financeiramente e independentes emocionalmente.  

O jantar estava muito bom.  Todas gostaram. Pedimos duas sobremesas para compartilhar, entre todas, uma de chocolate branco e pistache e outra de iogurte e morango. Café e chá para algumas. 

As conversas continuaram, com a indicação de um filme – A Última Sessão de Sigmund Freud (Netflix) e passou-se a escolher o próximo livro.  As sugestões foram O Alquimista, de Paulo Coelho, Voem, Cisnes Selvagens: Minha Mãe, a China e Eu, de Jung Chang e Paris é Uma Festa de Ernest Hemingway.  O livro Voem Cisnes Selvagens, lançado esse ano no Brasil, é a continuação do livro Cisne Selvagens, de 1991, lido por quase todas na época. 

Muito mais se falou, mas não se deve fazer esse registro.  Lembranças foram compartilhadas entre as presentes, mas não convém se registrar na ata.

Foi tirada a foto e escolheu-se, então, o livro para a próxima reunião, dia 09/12, quarta-feira: “Voem, Cisnes Selvagens: Minha Mãe, a China e Eu”, de Jung Chang

Boas leituras, beijos a todas e até lá, Titina.

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