Por sugestão de uma amiga interessada em reunir o grupo e incentivar a leitura, criamos de forma bastante informal, um CLUBE DE LEITURA que está em plena atividade e já debate (outubro de 2011) seu quarto livro. Nossos encontros são mensais e  recheados de muitas discussões. Como não somos experts, muito menos críticos literários, debatemos os sentimentos que os livros nos proporcionam, o que tem se mostrado muito rico do ponto de vista do crescimento individual e da convivência coletiva fraterna.
         A criação deste Blog é para que registremos a trajetória do Clube. O nome TOSCANA, surge para homenagear  aquela região italiana que, após  uma viagem que fizemos ( entre 11 casais)  para visitá-la, em abril de 2011, ela ficou indelevelmente marcada nos nossos corações. Como a criação do CLUBE DE LEITURA,  decorreu da parceria desenvolvida naquela viagem, a continuidade  do convívio daquele grupo (hoje ampliado), também justifica a homenagem.
         Este  Blog, que é restrito às participantes do CLUBE DE LEITURA TOSCANA, poderá conter  toda espécie de comentários, sugestões e propostas referentes a livros (lidos ou não), filmes, músicas,  peças teatrais e/ou shows , sobre os quais queiramos compartir impressões.
Bem vindas amigas!

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Reunião de 25/09/2013- LIVRE

       O que acontece quando o que queremos não está a vista? Se queremos encontrar e não achamos, se queremos melhorar e não conseguimos...se, ao procurar por sentimentos, reações, respostas, nos damos conta que estamos atrás de nós mesmos. O que acontece? Cheryl Strayed, resolveu caminhar. E nos contou em Livre, como pode ser árdua esta caminhada. A menina de infância pobre, apegada a mãe, aos irmãos e ao padrasto, casada jovem por amor, se vê, aos 22 anos, sem coisa alguma. Degringola por quatro anos, completamente perdida e sem referências. Comete erros, perde laços, se perde, se droga, se dá e, de repente, resolve partir para a aventura da solidão, para encontrar ninguém mais que ela mesma, livre!


       O Hause Café Bistrô foi a nossa sede e, nesta reunião, além de debater o livro, festejávamos o aniversário da querida Karin. Fui incumbida de escolher o champagne, o vinho branco e o vinho tinto, pois todos os gostos deveriam ser satisfeitos. Sabíamos que a Titina e a Karen não viriam, mas aguardamos por um bom tempo a Arletinha pois ela havia prometido vir afiada para o debate. Infelizmente, nossa companheira não veio, e então começamos a analisar Cheryl.
       A primeira a falar foi a Lise que veio embasada e documentada com uma entrevista da autora para a Revista Viagem na qual ela conta que usou o sexo e as drogas como consolo na convivência com a dor. Aliás, na ausência da Titina para nos dar a biografia, Lisinha foi muito esclarecedora e estava super por dentro da vida pregressa e atual da escritora. Karin se identificou com a questão do cuidado à mãe no hospital, valorizando o fato de Cheryl não ter sido ajudada pelos irmãos num momento em que precisava tanto. Achou a história interessante, porém repetitiva e monótona. Evelyn, nossa sempre eficiente assessora para assuntos cibernético-virtuais, pulou trechos do livro, achou chato, mas valorizou a extrema coragem para enfrentar sozinha a aventura na Pacific Crest Trail. Lídia, não conseguiu enquadrar o gênero do livro e achou obsessiva a relação da protagonista com a mãe. Mas nossa Presidente se impressionou positivamente com o despreendimento da escritora ao enfrentar um processo de mudança e sua honestidade nas reflexões sobre o sexo e as drogas. 
Denise ressaltou o antagonismo da auto-destruição e do instinto de sobrevivência de Cheryl,  notou que no início da obra havia uma idealização das personagens e que, com o passar dos 1770km os defeitos começaram a aparecer. Nossa pequena notável chorou na passagem do lago transparente em que ela via os peixes , mas não conseguia pegar, simbolismo para a vida em que vemos claramente as pessoas, mas não as tornamos nossas, porque viemos ao mundo sós e iremos embora também sozinhos. Chegou a vez da Suzana e ela declarou ter achado o livro fraquinho, disse: - não chegou a ser penoso, mas não gostei, achei bobinho...  A Su gostou mesmo  das trilhas e da sua descrição , mas não viu toda a profundidade  analisada pela Denise. Ah! Segundo a Suzana, o livro deveria se chamar Sorte, pois só com muita , a pessoa passa por todos estes perigos ilesa e invicta!!! Cléo trouxe seu infindável caderno de anotações, e sentenciou a baixa auto-estima da Rainha da PCT, que saiu em peregrinação em busca do seu eu, mas começou muito frágil, com muitos medos. De acordo com a Cleozinha, quando se enfrenta o medo ele fica menor, e ela foi fazendo isto metaforicamente no decorrer do livro. Ainda falando da nossa artista, o momento mais tocante foi quando Cheryl volta ao hospital e encontra a mãe já morta. Vejam só, agora vem a Malu, nossa aventureira,  que comprou o livro no dia anterior,   achou muito fácil de ler, e definiu que, seguramente a autora deve ter usado a narrativa e comentários de um diário, por isso a aparente chatice e repetição. Malu, que nunca perde a oportunidade de dar uma sacada genial, salientou passagens do livro como a "vim para vencer o que fizeram a mim, vim para vencer a mim mesma"disse Cheryl Strayed enquanto buscava seu eixo antes de chegar a Cascade Locks e comer sua casquinha. Agora, nossa autora/personagem sabia que sua vida era como todas as vidas, misteriosa, irrevogável e sagrada.  Tão perto, tão presente, tão dela. E se sentiu livre deixando que seguisse seu rumo.
      Enquanto comíamos nosso  saboroso risoto de camarão e alho poró, propus que fizéssemos uma trilha. Todas se viraram com os olhinhos brilhando. Começamos a planejar, com certa dificuldade de datas, um final de semana para irmos a Gramado fazer a PCT do sítio. São cerca de três horas de caminhada, mas vamos acampar, passar fome, carregar monstras, fazer bolhas nos pés, comer frutas secas e as silvestres que encontrarmos e, fundamentalmente, não vamos tomar banho. Só assim poderemos entender um pouco do sacrifício feito pela autora. Ah! E se alguém quiser algo diferente disso, já pode ir colocando a caixa no correio torcendo pra que chegue com os 20 dólares dentro! 
      Descobrimos que a Malu não estava ainda no grupo do Whatsapp, então, sempre Evy, providenciou sua inserção. O livro decidido para a próxima reunião 23/10, na casa Froeder, foi:
Doce Gabito

        Só nos restava fazer festa pra Karin! Cantamos parabéns, e presenteamos nossa amigona com um KOBO. Para ela que viaja tanto, vai ser muito útil.  Comemos uma deliciosa torta de chocolate branco com frutas vermelhas e já que depois da PCT ficamos com fome... também pastéis de Santa Clara. Acho que por mais que o livro não tenha agradado 100 por cento a todas, ficamos com um sentimento forte de cumplicidade... Cherryl tinha a idade aproximada dos nossos filhos quando perdeu a mãe e sua mãe tinha uma idade parecida com a de algumas de nós. Ela escreveu o livro com a cabeça que talvez tenhamos hoje e mostrou com suas metáforas coisas cotidianas e palpáveis, que nós pensamos saber, mas nas quais seguidamente ainda tropeçamos...
Beijo a todas e até a nossa PCT

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

A MUDANÇA - Mo Yan




Todo mundo já ouviu a expressão "fazer do limão, uma limonada", no caso deste livro, do fruto murcho, fizemos uma deliciosa torta de limão!!! Nossa! Que crítica mordaz...O que fazer? A Mudança, do chinês Mo Yan, deixou muito a desejar. Talvez, porque pensássemos ter mas mãos uma pequena pérola do Prêmio Nobel de Literatura. Provavelmente, porque lemos a história quase biográfica, esperando por um final que desse sentido à sucessão de fatos meio sem graça da vida do autor. Certamente, porque depois de Hosseini, Mo nos deixou com a sensação de ter lido uma crônica alongada (definição da Karen), de uma história vista superficialmente, sem posicionamento e cujo fim, não trouxe satisfação ou surpresa.

Mas vamos a nossa deliciosa reunião, a torta! O cenário é a casa da Arletinha. Lindo arranjo floral para receber as amigas do Clube de Leitura Toscana, petiscos de ótimo gosto e bebidas na mesa de centro e convidadas relaxadas, ouvindo da Titina a apresentaçäo o autor. O chinês, cuja trajetória nós conhecemos um pouco através do livro, é representante do Realismo Fantástico, e comparado a Garcia Marques. Segundo nossa Presidente, contou, na vida de seu amigo He Zhiwu, personagem que era o alter ego do autor, a história da China nos últimos 50 anos. O que porém, não acontece é o peso do julgamento, da tomada de posição, tudo é muito sutil. Cléo disse que a obra não lhe acrescentou nada, Lise considerou sem sal, bobo, enquanto Denise - que estava dodói e portanto mais quieta- caracterizou como infantil, a narrativa de Mo Yan.

Diante de tanta insatisfação, surge dentro do grupo uma insurreição, encabeçada pela Evelyn, que lamenta não termos escolhido ler Clarice Lispector. Evy cita vários intelectuais que têem contos da autora na cabeceira e, ao mesmo tempo em que Cléo, Suzana e Titina, se animavam na contestação, nossa Lidinha intervém, lembrando que a escolha de "A Mudança" foi votada e, sendo assim, não era justo o questionamento. A Lispector e sua barata deveriam esperar...Agora era a vez de Mo e seu Gaz 51

Sempre aprimorando a receita da nossa torta, Suzana nos leu uma matéria da ZH com declarações do escritor José Castello, durante a Jornada de Literatura de Passo Fundo. O biógrafo, cronista, crítico e professor ressaltou a particularidade de autores como Guimarães Rosa, Clarice Lispector e José Saramago, que se tornam inconfundíveis por seus estilos totalmente singulares. Mas, segundo Castello, existe uma tendência de internacionalização da literatura brasileira, imposta pelos editores que interpretam a tendência do mercado que deseja um texto médio, leve, rápido, em resumo, mais vendável. Cléo aproveita a deixa e comenta matéria da Veja, onde Lobão declara que o mesmo vem acontecendo com a música .


Arlete levanta e volta a sentar continuamente. Está preocupada com as bebidas, com a mesa, com a cozinha...Porém ainda há tempo para que Titina nos lembre uma frase interessante do livro de Mo Yan, "...mudar de lugar pode ser ruim para as plantas , mas faz bem aos homens "- as mudanças .Ela também recordou a engraçada situação em que a bolinha de ping-pong de Lu Wenli foi parar na boca do professor Liu - as coincidências...Karen achou o máximo que Zhiwu escolheu casar-se com um mulher feia - as estratégias... Lise incomodou-se com a declaração de Lu Wenli : "O homem de mais de cinquenta está no seu auge, mas a mulher...vira uma bruxa velha" - as conclusões.
 O jantar foi servido! E que jantar... Estava maravilhoso! Não tivemos que votar o próximo livro, pois já estava definido "Livre" de Cheryl Strayed. Fizeram muita falta Karin, em New York, e Malu, na Jordânia. A Karinzita, inconsolável por não estar conosco! Passou todo o encontro mandando mensagens pelo whatsapp, no novíssimo grupo criado pela nossa consultora para assuntos cibernéticos, áudio e vídeo, a incansável Evelyn! Eu, como é possível identificar pelas fotos, estava ainda em recuperação do meu processo de aprimoramento visual...por isso peço também desculpas pela demora na postagem da ata, pois pela sensibilidade ocular, tive muita dificuldade em estar na frente do PC por mais de dez minutos. Foi preciso ir fazendo aos poucos...espero ter retratado bem nossos intensos momentos...

Ahhhhhh, falando em intensidade... Como posso definir os debates e assuntos que tivemos na mesa redonda de jantar da Arletinha? Acho que já que falei em torta até agora, o jantar e seu debate "very hot", foram a cerejinha que completou nossa noite. Voltamos pra casa leves, felizes. As mensagens iam e vinham, o sabor do encontro foi prolongado e, tenho certeza, está sendo sentido agora, quando encerro esta ata e me despeço:- até a próxima reunião dia 25 de setembro, na casa da Karin!



Beijo,

Andrea 



quarta-feira, 7 de agosto de 2013

Reunião de 5/08/2013- O Silêncio das Montanhas


     Fui a última a chegar ao acolhedor apartamento da Cléo. A anfitriã exibia aquele sorriso lindo que conhecemos e demonstrava, a cada pequeno gesto, a alegria de nos receber. Dizia, cheia de orgulho: - estamos todas aqui, ninguém faltou! Foram servidos os quitutes da Chef Juliana que estavam deliciosos e, juntamente com o vinho branco e espumante gelados, nos acompanharam incessantes por toda a noite de debates.

Um brinde cheio de sorrisos  antes do debate
     O Silêncio das Montanhas comoveu a todas nós. É um livro especial, repleto de histórias dentro da história, com  personagens ricos, profundos e imperfeitos, como convém a quem procura contar a realidade. Nossa Presidente tentou estabelecer a ordem por diversas vezes, tentávamos deixar as companheiras falarem, mas eram tantas impressões que afloravam na nossa lembrança, que não conseguíamos ficar quietas por um minuto sequer. Depois da já clássica apresentação do autor feita pela Titina, Lise começou dando a sua opinião. Ela acha que foi o melhor livro que já leu, eu também. Lisinha pesquisou sobre o Taliban, pois queria ter um entendimento mais completo da obra, se emocionou com as Paris (as duas) no cuidado e dedicação que tiveram com seus genitores. Karin estava logo ao lado e tinha que sair mais cedo- ela anda tremenda, chega atrasada numa, sai mais cedo na outra...- mas a perdoamos porque é linda, ainda mais agora 9 kg mais magra. Então, Karinzita ressaltou a interferência da religião na política, na vida e na história de quase todas as personagens e a dificuldade de inserção destas pessoas numa sociedade ocidental. 
      Arlete estava descontraída, como diria um amigo nosso, toda soltinha... Ela lembrou da dificuldade que teve Idris em conciliar a sua realidade financeira com a vivida pelo povo do Afeganistão. Estas antíteses foram uma constante no livro. Como fez questão de ler a Karen, "Além das noções de malfeito e benfeito, existe uma ravina. Encontro você lá". Este pensamento de Rumi (muito citado no livro) resume bem o aspecto subjetivo que envolve o bem e o mal, o certo e o errado, o bom e o ruim. Cada um com sua visão do justo, julgando ter feito o melhor, só que este melhor coincide com o pior para o outro. 
      Na obra, por exemplo, conhecemos Parwana, esposa do pai dos protagonistas Abdullah e Pari. Esta mulher apavorou a Suzana e a Titina! Pra nossa meiga amiga, ela era muito malvada, capaz das piores atrocidades. A Su ficou chocada por ela ter derrubado a irmã da árvore, achava que tinha sido intencional. Já a Karen dizia que não, ela era uma sofredora que foi capaz de um ato de profunda generosidade ao abandonar a irmã no deserto. Evelyn lembrou dos primos Idris e Timur, completamente diferentes . O que era bonzinho, se revelou um covarde e o arrogante e desonesto acabou virando herói.  Um lado e o outro tão diferentes, mas cada um com sua justificativa, a sua explicação.
       O capítulo que se passa na Grécia, contado pelo médico Markos foi o que agradou mais. Denise ficou encantada pela mãe dele, uma mulher muito determinada e forte. Dedê sublinhou e leu para nós, vários trechos deste capítulo riquíssimo de sensibilidade e desafios. Quando chegou a vez da nossa perspicaz Malu, ela já não tinha mais o que dizer... de tanto que a gente tinha falado. Ela, que aliás estava quietinha, destacou a qualidade da escrita do livro. Comentamos também sobre a forma  que Hosseini encontrou para contar uma parte da vida de Markos, mixando fatos com a contagem para soltar o obturador da câmera fotográfica. Cléo fez muitas anotações e adorou o livro, ficou somente um pouco decepcionada com a ausência total de libido...
           Lídia ficou muito chateada porque quando Abdullah e Pari conseguiram se encontrar, depois de uma vida inteira de espera consciente por parte dele e inconsciente por parte dela, o irmão não conseguiu sequer reconhecê-la. Esta frustração só foi recompensada pela nova perspectiva que ganhou a vida das duas Paris. Nossa Presidente, sempre bem informada, por diversas vezes durante as discussões, nos situava no tempo e no espaço, citando datas, invasões e regimes do movimentado Afeganistão.
Nós e o Silêncio das Montanhas
      Bom, chegou a hora de resolver o que e para quando leremos o próximo livro. Várias indicações, como sempre da compenetrada Titina e da nossa eficientíssima Pres. Como algumas de nós vão viajar em setembro, optamos por um livro pequeno ainda para agosto e outro para o final do mês da Primavera. Aí começou um positivo bate boca... Em votação , de um lado, Clarice Lispector -  A Paixão Segundo G.H.   e de outro Moyan - Mudança. Votamos e para meu desespero ganhou Clarice. Eis que quando eu já estava me conformando insurge uma voz que vinha lá do lado da Suzana, e da Arletinha falando sem parar duma tal de barata, meleca branca , antenas se mechendo na boca... Acho que o nojo falou mais alto e a Lidinha resolveu fazer nova votação! OBA !!!!! Moyan venceu!  Será lido para dia 28 de agosto na casa virgem da Arlete, exatamente nesta ordem...Para 25 de setembro, a princípio, a leitura é LIVRE de Cheryl Strayed.





Pensaram que eu tinha acabado??? Que nada! Ainda veio o cafezinho, e docinhos lindos. Mas não foi tudo... Cléo parte para seu clássico sorteio de peças da PARISI . Fez um,     cuja vencedora foi a Malu, fez outro e a Suzana venceu ... e assim ela foi indo sorteando uma por uma, cada colega presente.  Não cabíamos em nós de tanta alegria! Valeu a pena esperar até o final. Porém este ainda não foi o  presente derradeiro, pois na despedida Cléo nos surpreendeu com vasinhos mignon  de plantinhas florais,  que lembravam a delicadeza  da nossa querida anfitriã. 





 Agora acabou!
 Bjs a   todas !
 Nos vemos na Arlete!
 Andrea

terça-feira, 2 de julho de 2013

Reunião de 26/06/2013- A Trégua / Barbazul


Desde que conheci o House Café Bistrô, em maio,  imaginei como seria legal fazer ali uma reunião do Clube de Leitura Toscana. Um lugar acolhedor, simpático, bem feitinho, com uma chef querida e  competente, louca para agradar e que recebe como se estivesse em casa. Assim foi feito: Separaram um andar inteiro pra nós, decoraram a mesa de modo primoroso nos serviram com carinho as delícias da Ana
Celina.
Nós, A Trégua e Ana Celina
Com a chegada das companheiras, começamos a discutir  A Trégua do uruguaio Mario Benedetti. Não houve, pela historia do livro, muita empolgação. O protagonista era um coitado, sem ambição e com muito pouca sorte, segundo a Evelyn… Porém todas apreciaram a capacidade do autor de descrever com objetividade e clareza, quase crueza, numa narrativa perfeita, sem exageros de descrição.

Conversamos bastante sobre o livro, o que deixou a Suzana contente,  -“ desde  A Camareira não esmiuçávamos tanto as personagens”, foi o comentário dela.  O Martin Santomé, não agradou muito, embora tenhamos achado que ele foi um bom pai, era honesto, discreto, nada além disso. A grande conclusão foi pescada pela nossa convidada especial: Elena. Ela, que é psicóloga, veio ao encontro para nos auxiliar
na discussão do capítulo Barbazul de Mulheres que Correm com os Lobos. Então, como eu ia dizendo, Elena diagnosticou a depressão de Santomé e conseguiu explicar porque todas nós relatávamos a falta de apego a leitura da obra, a tristeza que nos vinha enquanto conhecíamos a sua história e testemunhávamos sua apatia e conformação .

Eu falei do meu pai, Karen contou do seu,  Evelyn entregou o dela também. Arletinha deu risada, pois o seu progenitor, mesmo tendo passado pela viuvez precoce, se saiu bem... Enfim, chegamos a coclusão de que nosso “ herói” se virou como pode...o tendo feito sem inspiração e brilhantismo, levado pelas circunstâncias. A única faísca de felicidade que o pré- aposentado encontrou foi a jovem Avellaneda, por quem se apaixonou (Suzana lembrou de Saramago que só conheceu o amor aos 65 anos com Pillar), mas a garota morre e tudo volta a mesmice de sempre.  Finalizando este debate, Titina falou sobre o autor que é muito reconhecido principalmente na América Latina.
Denise, Elena com Mulheres que Correm com os Lobos e eu.

Enfim, sob a batuta da nossa presidente, partimos para a  apreciação do Barbazul. Ainda bem que tínhamos nossa pocket psicóloga a mão, pois a leitura e interpretação deste texto de Clarissa Pinkola é tão difícil e pesado quanto o prefácio e o primeiro capítulo que já havíamos analisado. Na realidade, Denise esperava ansiosa por este momento, os conhecimentos interpretativos da nossa colega são tão adequados que ela parece uma conselheira da autora, ou vice-versa. Elena, pelo seu lado tentava decodificar os simbolismos , esclarecer os pensamentos, tornar mais práticas as assimilações. Teve sucesso, mas foi constantemente seguida de perto por Denisinha que a interpelava de contínuo.

Estávamos sem a Cléo, Lise e Malu, isto nos trouxe , sem dúvida, prejuízo, pois são companheiras  que amam as discussões profundas. O que não houve foi muita divergência. O máximo foi definir quem entraria no quarto proibido e quem não o faria. Nos dividimos em obedientes e sapecas… As que se arriscariam e as que se preocupariam com o lícito, deixando o desafiador pra lá.


Karin chega com toda a energia! Com seu lindo sorriso, enche a sala e ainda consegue saborear o delicioso risoto de camarão com folhas de ouro. Ela tinha um curso e chegou quase no finalzinho.

A este ponto já estávamos por decider o próximo livro, e a próxima data. Enquanto a Lídia tentava conciliar os interesses da viajante que vos escreve com as demais, Karen puxou a brasa pro seu lado, não querendo abrir mão de uma reunião por mês! Vários foram os possos e não possos, mas ficou resolvido dia 5 de agosto, na casa da Cléo . A próxima obra que nos fará companhia será O Silêncio das Montanhas de Khaled Hosseini.


 Bjs a todas! 
Andrea

domingo, 19 de maio de 2013

ATA DE MAIO DE 2013




Dia 15/05/2013, nos reunimos na casa da nossa estimada presidente, para discutir o segundo 1Q84. Somente nossa colega Karen não pode comparecer, mas, por e-mail havia antecipado seu julgamento negativo sobre o livro.
Lídia sentou-se na bela poltrona branca em frente a lareira e deu inicio aos debates. O desgosto, ou melhor, desapontamento sobre o segundo Hurakami foi quase geral. Todas esperavam por soluções e definições que acabaram não aparecendo.
Segundo a Denisinha, as performances de Tengo hipnotizaram Suzana durante a viagem a China. Mas a Su, que veio vestida lindamente a caráter, amenizou, dizendo que nas conexões internas seguidamente esquecia o livro!
Lídia ressaltou a ingenuidade e erros do texto, o que foi avalisado por Titina, não obstante a predileção de Arthur pelo segundo volume. Lise, Karin e Denise ressaltaram que, apesar de tudo, o livro prende o leitor e isto ninguém discute, é um mérito! Fizemos um giro de comentários, onde cada uma salientou suas impressões, como Malu que lamentou a falta de respostas e foi apoiada por Arlete e Cléo que, realmente não suportava mais a chatice do Tengo... Todas foram unânimes em descrer na morte de Aomane, completamente sem sentido...
Evelyn, nossa consultora para assuntos cibernéticos, esteve muito requisitada e devo dizer, estava muito chique num vestido de estampa selvagem... Falando nisto, tínhamos que mudar de assunto e encarar Mullheres que Correm com os Lobos, livro profundo e denso, que exigiu da que vos redige, grande esforço intelectual.  Como não havia lido os 1Q84, fui designada a apresentar o primeiro capitulo desta obra psicanalítica que tem duas grandes fãs... - Denise e Cléo- ambas leram o livro há muitos anos e o propuseram como desafio para nós, simples mortais! O debate foi interessante, afinal, nós mulheres somos realmente um "must", juntas, mesmo que com opiniões diversas, sabemos aproveitar, respeitar e dar muita risada... Foi o que aconteceu! Como as defensoras do livro admitiram que o início é realmente meio enfadonho, a Karin que o diga, resolvemos nos estender ao conto do Barbazul, para a próxima reunião, dia 26 de junho, convidadas pela Andrea para o restaurante House Café e Bistro. Neste encontro debateremos "A Trégua" do uruguaio Mario Benedetti.
Não poderia deixar de registrar a qualidade do encontro proporcionado por nossa Presidenta! Tudo estava perfeito, desde o ambiente, a champagne gelada, os quitutes deliciosos e o intenso clima de amizade que ganhou tempero especial por ser o day after do aniversário da Lídia. O Clube de Leitura Toscana parabenizou sua líder e mentora com um afinado Parabéns a Você e um Kobo (leitor de e-books), para dar um up grade, se isto for possível, na sua performance literária.
Até a próxima!